Onde investir em tempos de crise? No mobile!

Os leitores mais assíduos dirão que estou batendo na mesma tecla ao falar novamente de mobile, mas o impacto que esse tema vem causando no varejo é tão grande e transformador que é impossível tirar o foco dele, ainda mais num momento de crise econômica que vivemos no Brasil.

Vamos discutir aqui dois tipos de situações. A primeira para aqueles varejistas que já estão no e-commerce, com suas lojas em funcionamento, investimentos em mídias etc. A segunda para aqueles varejistas que estão entrando agora ou ainda não entraram no e-commerce. Nessas duas situações o cenário é o mesmo: “tenho uma quantidade pequena X de moedas para investir, o que é faço?.

O ano de 2015 tem se mostrado difícil para os varejistas, e 2016 não parece ser diferente. Mais do que nunca, a frase “produto certo, para o cliente certo no momento certo” deve ser um mantra, sendo que para o e-commerce eu adicionaria a varável “canal certo”.

Em todas as empresas de e-commerce que visito no Brasil, tenho percebido duas mudanças fortes. O perfil do cliente que compra na Internet, em sexo e idade, está ficando mais jovem e igualitário em relação ao sexo.

A segunda mudança é o canal de compra. O device mobile já representa 50% das visitas de muitos sites de e-commerce e, para aqueles mais estabelecidos, as vendas chegam a igualar o mesmo percentual de visitas. Some a isso que, desde 21 de abril deste ano, o Google começou a penalizar em seu algoritmo de busca os sites que não estão preparados para mobile, ou seja, seu ranking em SEO será afetado. Uma forma de verificar a qualidade do seu site em relação a mobile é fazer este teste do próprio Google (http://ow.ly/TAQnj).

Voltando às duas situações que comentamos acima: para você que está começando no e-commerce, por favor, não deixe de investir no site mobile. As principais empresas de gestão de mídia online (Google e Facebook) já entraram de cabeça na plataforma há mais de dois anos, e os resultados das campanhas de produtos, principalmente no Facebook, vêm sendo melhores no mundo mobile do que no desktop.

Um ponto para ambas as situações é: que tipo de site mobile desenvolver? Responsivo ou adaptativo? A discussão para essa resposta levaria um artigo inteiro, por isso entendam a diferença entre os dois para que o time técnico, junto com a equipe de marketing, possa decidir qual o melhor para sua empresa. O site responsivo utiliza tecnologias de grids fluídos para adaptar um único site para diversos tamanhos de tela. A vantagem é que o mesmo site funciona para qualquer tipo de tela e é o modelo recomendado pelo Google, porém pode ser mais lento em redes 3G/4G, pois carrega itens do site desktop que podem não ser usados no mobile. O site adaptativo usa o mesmo site, mas com designs diferentes para cada tipo de tela (normalmente, celular, desktop e tablet). A vantagem é que o tempo de carregamento é mais rápido, já que os ativos do site podem ser personalizados para os tamanhos menores, porém, dada a grande diversidade de tamanhos de telas e devices no mercado, alguma inconsistência pode aparecer em certos devices.

A preocupação é tanta com mobile, que o Facebook está investindo milhões em sua plataforma móvel com projetos como “Instant Articles”, e o Google, em outubro, lançou o AMP Project (Accelerated Mobile Pages), uma “versão” do Google para o código HTML que fará com que os sites carreguem pelo menos 4 vezes mais rápido.

Para quem já está trabalhando com um site mobile e talvez até com um aplicativo (e que por favor não seja um WebApp, e sim um aplicativo nativo), o seu investimento deve ser focado numa estratégia integrada de mobile. Muitos acreditam na teoria do filme estrelado por Kevin Costner O campo dos sonhos, com a frase “Se você construir eles virão”, e aplicam isso ao seus aplicativos mobile. Infelizmente, não funciona assim.

Para o e-commerce especificamente, o uso de aplicativos está ligado a uma estratégia completa de mobile para sua empresa, que envolve investimento em mídia, uso dos canais orgânicos da empresa para download do aplicativo, incentivos para fazer com que o usuário abra novamente seu aplicativo e, principalmente, uma análise detalhada do comportamento de clientes novos e clientes da base.

Esse último ponto é muitas vezes o fator decisivo para investimentos em aplicativos mobile e mídia mobile. Empresas que já apresentam 50% de suas vendas, ou mais, provenientes de clientes que já compraram algumas vez antes pelo e-commerce devem trabalhar em uma estratégia de aplicativo urgente!!!

Isso porque os aplicativos mobile nativos trazem para o e-commerce um novo canal orgânico de vendas que já tem hoje o mesmo impacto que o e-mail marketing teve no início do e-commerce, o push notification.

O push notification “rouba” do canal de e-mail marketing alguns clientes, mas, mais importante que isso, adiciona clientes que não respondiam mais a e-mail e que preferem comprar pelo celular.

Em resumo: pouco dinheiro para investir? Invista no mobile. Num cenário em que o consumidor é mais jovem, mais da metade do tráfego é feito pelo celular, e você criará um novo canal de vendas orgânico.

Via: e-commercebrasil



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